Abri os olhos quando prestes a afogar.
Não são guelras os aparelhos que precisava para sobreviver
senão largas doses de humor,
e fatalidades das situações mais dramáticas
reboscadas ao pormenor metafórico,
de ser Eu aperceber-me que tudo isto é tão relativo.
Tão somente para não me entitular de hipócrita,
tinha de arranjar um qualquer pretexto que me desculpasse
deste vício tão insolente e delicioso.
Parasitas de todos os piores,
e eu como hospedeiro fingindo que não são simbioses
os padrões relacionais
entre a coisa e eu.
E eu e ela.
E nós no contexto.
Parto-a ao meio, em três,
e em quantidades infinitesimais.
Para mais tarde sair do banho,
e ela estar íntegra outra vez.
Á minha espera.
A sorrir-me.
A pedir-me de mansinho.
E eu mergulho.
Outra vez, eu mergulho.
Para ficar prestes a afogar-me.
Abro, os olhos.
Trivialidades não fazem o Mundo girar.
Até aqui a culpa tem sido toda minha.
hoje quando acordei, já não havia mais culpa.
Já não havia nenhuma doce angustia,
já não havia uma eterna incapacidade de expressão.
Hoje, apercebi-me que as vidas estão simplesmente cheias de trivialidades.
Trivialidades que tornam os Mundos estáticos.
Invernos soberanos.
A partir daqui.
Eu estou salvo.
Mais difícil de aceitar, são os componentes mentais
adulterados por mechas de auto-justificação,
concebidos da forma mais delicada para se autentificarem
de razões mais prudentes para dizerem,
‘tu és real’.
Por capricho ou mera obcessão,
ultrapassar barreiras tão pouco complacentes
às dúvidas internas, lacunas de personalidade,
crises de quem não dorme cedo e acorda tão tarde.
Movido pelo impulso de viver num limite
tardio e morbidamente doce.
Quando todas as portas de fecham,
e sabemos que elas se voltam a abrir.
O mais difícil de aceitar,
são os círculos, ideias, insanos,
dias demasiados curtos
para finais tão eternos!
Quando perco a direcção da minha própria vida,
chamo todos os antecedentes que outrora foram capazes
de me ditar maneiras, de ser Eu,
etiquetado às minhas tão poucas autenticidades
para me obrigarem a ser um puro rórulo
quando eu já não sei quem quero ser.
E quando cedo perco o sentido,
estradas deixam de ter sinais e mapas parecem ser levados com o vento.
Para lá dos muros, podem existir outras formas,
outras equivalências de seres de mim,
mas pouco me atrevo a espreitar.
Por medo de não saber quem serei, ou simplesmente,
por intimamente não me querer desfazer
de quem Eu tenho sido até aqui.
Por total consciência disto,
sinto-me inequivocamente como a querer todo este impasse.
Toda esta indecisão impregnada de uma sedutora dor emocional,
estéril, ressonante e companheira,
que me consome nos silêncios e nas horas mortas.
Como se todas estas decisões me pudessem tornar real,
quando agora. Neste momento
já o estou a ser.
E sou. Inevitavelmente.
Esses Seres, Montros e Homens, dentro de mim.
Se eu te chamasse um mero acaso,
atirar e acertar, corria o erro crasso de te colocar
em probabilidades infinetisimais dessas conjugações de nós Humanos.
O mais difícil de aceitar
è que as pessoas continuam simplesmente a andar em círculos.
Andando em círculos e voltando ao ponto de partida.
Sem deslocar daqui, tu percebes,
se não somos forças impulsionadoras,
somos mais daquelas pessoas
que acham o mundo caótico e de movimentos erráticos.
Quando na realidade são só círculos.
Círculos em ciclos que começam acabam e recomeçam.
Difícil é aceitar que eu voltei ao ponto de partida,
e cículos em círculos e ciclos outra vez.
Se fores um mero acaso,
nós seguimos órbitas semelhantes por instantes.
Para seguirmos os ciclos e círculos
E ciclos outra vez…
Plantas sem flores são apenas pretextos para esperar pela Primavera,
em que todos os dias são dias para crescer.
Em que todas as vertentes nos podem levar até ao ponto principal.
Por isso, enquanto nos mantivermos aqui,
a culpa não será da terra infértil, nem de outros pretextos
que podem até nos fazer rir.
Mas enquanto eu sentir apenas e só isto, estou seguro,
não pode ser perigoso.
Podes partir quando o vento mudar,
que eu fico feliz à espera da Primavera.
Ter todas as hipóteses signigica que passos limitantes,
são somente inacessibilidades constructivas nas matérias mais densas das dúvidas.
Quer isto dizer, que com todas as alternativas,
nunca poderia haver uma única que se propusesse a não ser uma alternativa.
Sem intuito de não ser, simplesmente.
Agora que tudo é possível, não podem haver interlocutores a moderarem
a qualidade dos desempenhos,bons ou nem por isso,
talhados ao individualismo.
E começa assim. Primeiro com episódios ambiguos fisiológicos,
mal-estar e até desconforto.
Passa para esse apêndice translocado ao real, na existência dele mesmo,
sem qualquer utilidade.
Para se esgueirar depois por uma qualquer brecha
abrindo sem querer o mundo interior por inteiro.
Para poderem depois começar a entrar todas as possibilidades.
Porque na vida, tudo é simplesmente possível.
Façam fila e um a um, atirem-se sem olhar para trás
já que plenitudes ficaram a dever aos dias que passaram,
molhos de sentimentos que prometeram que ficavam.
Depuração de todos os momentos de mãos dadas
artimanhas de conjucturas a dois que nunca resultam,
e todos esses crimes à minha complacência, são hoje meros casos,
de pessoas estranhas que entram, passam e saem pela mesmo porta.
Por isso, façam fila, sem grande confusão,
atirem-se ou simplesmente deixem-se cair. Esmoreçam.
Porque o céu tem mais estrelas que aquelas brilham aos olhos,
e quer tudo isso dizer que ultimamente,
são mais aquelas coisas que ‘não são’,
que me têm garantido mais felicidade.
Podia estar Eu então, num estado transcendente,
já que isto só indicava que se irrealidades me faziam feliz,
eu a viver em Mundo de Sonhos, dificilmente chegava a lado algum.
Se então eu obedeço a essa inconsciência,
tão inconstante como o meu Ser, a querer e a deitar fora,
a tentar e acertar.
Mascarar deliberadamente coisas importantes,
etiquetadas de prazos de validade tão ultrapassados,
sou Eu a enfaixar os meus desejos mais íntimos,
a usar as mais belas carapaças.
Sou eu a não ser. Porque as coisas que não são,
são aquelas que…
Deixar-me assim ser Eu,
autêntico e desblindado aos gestos mais sublimes
que começam na força até á cinética da ponta dos dedos.
Este posso ser mesmo Eu, real a deixar-me encontrar
os espaços mais escondidos de mim.
A ser para dançar.
Para chegar à essência, que não subsiste se eu não o fizer.
Para eu chamar por dentro a força
e afugentar os meus medos mais imaturos.
Este sou Eu, a quebrar os meus próprios limites.
A impôr um rigor e a fazer tão bem tudo o que posso fazer,
quando me chamo para ser.
Só posso dançar.
E danço. No silêncio porque o meu coração,
conheço tão bem o ritmo desta música.
Danço.