Ainda…Inverno
2006 February 6
Eu nunca me encontro. Todos os dias tento acreditar e fujo a mim próprio.
Porque quando acordo de manha, lavo a cara e preparo-me para mais um dia,
e acredito naquilo que no dia anterior decidi não mais tentar.
E ponho toda a plasticidade que inibe quem eu sou naturalmente, para me tornar eu por detrás.
Porque quando acordo de manha, lavo a cara e preparo-me para mais um dia,
e acredito naquilo que no dia anterior decidi não mais tentar.
E ponho toda a plasticidade que inibe quem eu sou naturalmente, para me tornar eu por detrás.
E saio á rua ainda com a estranha sensação que talvez tudo corra bem.
E olho as pessoas com a sensação de que talvez possa estar no mei delas.
Uma hipótese formulada de dia, quebrada de noite.
E oiço cada passo que dou.
Mesmo que na lama os pés não façam barulho a andar.
E sinto-me apenas mais um na multidão,
tento interpretar olhares que me dão, o filtrá-los como se fossem em cumplicidade.
tento rever-me em algumas pessoas,
em alguns pares que resitem ao frio agarrados.
E penso que a vida é perfeita quando temos algo que nunca vai embora.
Quando acordamos e mentimos ao nosso coração, dizemos-lhe que está tudo bem.
Que há um mundo lá fora, e que nós nunca vamos embora.
E a lama acaba por secar.