Cavalos Selvagens
Não é muito fácil ter travões.
Principalmente porque nada é nunca, suficiente. Nada por si só chega para preencher.
Nada é cem por cento fiável e encaixável dentro das lacunas chamadas pensamentos.
Por isso que nunca pensou que pudesse acabar assim. O Sr. que sabia que o dia de hoje contava como mais um passado na lista. Bem, eu acho que nos perdemos todos, é verdade.
E depois temos todos pensamentos sobre o respeito, e sobre esta construção mental familiar.
Nunca foi um exemplo, e nós nunca um exemplo fomos também, mas o modelos paternais quebram-se quando? Não vale a pena encolher ombros e levantar sobrancelhas. Rapazes todos caem um dia.
Por isso é que não é fácil ter travões, esses travões para achar que é suficiente, e dizer já chega como aquele Sr. que somou só mais um dia nos dias que restam. Não se trata de vinganças.
Não se trata de ódios.
Não se trata sequer de aborrecimentos.
É simplesmente uma desvastação assim comprida como florestas dizimadas por serras eléctricas.
Mortes incertezas num compasso quase consistente, quase fora de ritmo. E depois chama-se estupores, bêbados, mau pai, mau filho.
Mas temos pensamentos em conjunto, que construimos tranças com fios coloridos, eu e ela em dias de Verão passados, tais como estes que têm passado. Temos pensamentos em conjunto sobre cavalos selvagens a saltarem as cercas que os amarram á fraca condição de liberdade.
Nós eramos esses cavalos selvagens, eramos tão velozes como desejos de algodão doce a desfazer-se tão rapidamente na boca. Sempre gostámos disso..
E depois há outras histórias, quase todas de fazer sorrir, daquelas que temos a certeza que nos vamos lembrar quando, numa noite qualquer depois de umas bebidas a mais, daqui a talvez 20 anos. E vamos sorrir outra vez.
Cavalos Selvagens.
Então vale a pena não partir já esta garrafa de emergência. Todos caimos, lutamos, juramos e amamos todos os dias. Mentimos a nós próprios.
Que vale mais ficar para ter desejos que nunca são suficientes? Que nunca vamos dizer ‘chega’ e assentar.
E eu ás vezes quero com tanta merda de força pegar este sonho inacabado nesta noite de verão que me deixa transpirar, só por ser calor. E me deixa ficar quase sempre a pensar, estão a ver todos os meus movimentos.
Depois á tarde chegamos todos e procuramos mais uma discussão.
Conversa-mos.
Despedimo-nos de boa noite.
E sonho com os cavalos selvagens.
Há muito poucas coisas daquelas que eu sei no fundo que conseguia responder. Que conseguia mesmo corresponder na essência. Mas de certa forma, são tão suficientes que ás vezes penso se já não chega. Se nada mais seria suficiente para mudar esta questão. De perder e de ganhar.
Não é fácil ter travões.
Ter uma mão para erguer-nos e dizer: ‘chega’.
To Be Free (tradução)
Mike Oldfield
Composição: Indisponível
Você se vê sozinho, as vezes
Sem lar, sem proteção
Não sabe que caminho tomar
Você está perdido, sem direção
E então, de repente, vindo do céu
Um tipo de mágica chega a você
Não sabe como, você não sabe por quê
Mas algum dia, vai fugir, e voar
(desejo, faça um desejo)
Meu desejo seria…
Ser livre
Ser selvagem
E ser
Como uma criança
E se eu me perder
Eu não irei me preocupar
Pois comigo
Está tudo bem
As vezes você está do lado de fora, no frio
Até onde sua vista alcança, tudo está nublado
E você quer correr até o sol
O caminho se perde, areias movediças.
E então, de repente, vindo do céu
Um tipo de mágica chega a você
Não sabe como, você não sabe por quê
Mas algum dia, vai fugir, e voar
(desejo, desejo, faça um desejo)
E se eu tivesse um desejo, meu desejo seria…
Ser livre
Ser selvagem
E ser
Como uma criança
E se eu me perdi
Eu não irei me preocupar
Pois comigo
Está tudo bem
Como uma criança
Eu realmente não me preocupo
Pois eu estou livre
Está tudo bem