Setembro e Horas que dormem
Em cada contorno da pele que se contorce com um toque, dobram-se pregas de multidão com sede de sabor. Sede de beber cada traço fisico de um corpo mutilado pela chama da fome, da ânsia.
Os dias não passam, escorrem derretidos dentro de um relógio envolto no suór de um pulso quente, erguido.
E desejava que só ser assim, fosse ser suficiente. Porque é setembro e está um mundo lá por trás, um mundo que exige, que reprime que tece vontades alheias, que puxa no sentido menos prático de existirmos. Não sei quem és, e pouco sei se sou quem quis ser. Chego para chegar e dizer que cheguei. Para pedir uma simples resposta. E confronto eu, comigo mesmo, quebrando uma barreira que tenho medo de quebrar.
Sobra pouco, agora que olho, mas agora quero mesmo saber.
Se o vento vai chegar, divagar, afundar os montes de dúvidas que não se diluem no espaço
Se vai haver sede suficiente para trazer ao porto água fresca se um novo começar
Se quero que a vulnerabilidade de olhares se tornem primeiro em flores,
depois frutos com sementes
e depois uma árvore.
É que há pouco sentido, do sentido que eu queria dar. E busco então motivos premeditados para o conforto da minha mente deitar-se sem nuvens cinzentas. Não sei se vejo bem. Se perco bem ou se sou bem.
Não sei sequer se são os traços que me deixam para trás, ou se é o espelho que os delimita tão vincados.
Não sei sequer se isso seria importante.
Depois, á noite não á brisa, nem sequer leve. E é Setembro, mas não parece. Parece longe, distante e perdido. A história que podia vir da correntedo Tejo afundou-se antes da primeira palavra. Ás vezes tenho medo disso, afundar sem ter sido primeiro. São só bons dias, maus dias, todos têm alguns. Depois a necessidade crónica de horas extras nas horas que temos por dia, aumenta porque aumenta a ausência. Aumenta a relutância da pele a reagir ao tacto. As horas tornam-se mortas no relógio de pulso, e o tempo não passa, derrete.
Se o vento for na direcção do meu caminho, eu chego rápido
Se for contra, eu chego cansado
Se souber o que falta, sei o que já tenho. Mas se souber o que tenho, fico sem saber o que falta.
Talvez não falte nada.
Talvez não houvesse razão este tempo todo. Eu estava errado.

Hum, li e reli, bom texto, muito bom consegui sentir-me como se fosse o vento . . .
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Quando um homem está doente, se não se encontra essencialmente realizado, dá-se conta de que quando estava de saúde tinha descuidado muitas coisas essenciais; que tinha preferido o acessório ao essencial
(Gustave Thibon)
ºvº
É Setembro…por bem ou por mal, os ventos mudam sempre…
Setembro é mês de horas não esperarem por ninguem para passar, recomeçam horarios e todo o ciclo outra vez.
Gostei muito da maneira que está escrito, mas confronta-se tantas vezes as palavras ctg mesmo, que nao sei se qd lês os posts, tb ficas surpreendido!