Estradas
As pessoas cruzam-se. Com o intuito próprio de um cruzamento.
De um choque.
De um deslizar. De um…olá.
E as pessoas acabam por chegar. Acabam por se fazer entender porque vieram.
E nós. Já estamos a ir. Em direcção a alguém com quem nos cruzaremos.
E de certa forma, não chegamos todos á vida de alguém, com um propósito?
Amizade?
Conhecimento?
Aprendizagem?
As pessoas pisam a mesma calçada. Algumas desfazadas em relação a outras.
A teoria hipotética do momento certo na hora certa,
dita toda a conspiração universal de juntar as pessoas.
E todos os motivos, primeiro vagos acabam por ser explicados.
E os sorrisos falciformes,
acabam por se abrir brilhantes.
E até as palavras mais antipáticas se podem tornar precauços.
Avisos tabulados de que alguém chegou.
E de certa forma, não estamos nós a chegar á vida dos outros?
e dar-lhes algo.
A receber algo.
Mas e, as pessoas a chegarem.
A irem.
A cruzarem-se.
No milhão de pés que passam a Avenida de Roma,
será que estamos a caminhar para lados opostos?
hipoteticamente encontramo-nos iamos do outro lado da Terra.
- E ele está a chegar ao teu caminho, e tu, ao caminho dele. - pensei.
E de súbito fiquei em sobressalto.
E se nos perdermos no caminho?
E se, nos desencontrar-mos sempre?
Perdidos no caminho?