Palavra atrás de Palavra

2008 July 1
Posted by Diogo Ferrinho
Não conseguia dormir.
porque tinha palavras.
Tinha montanhas de palavras.
E estava aflito para escreve-las.
E elas estavam aflitas para sair.

As palavras que pareciam pressionar a ponta dos meus dedos.
E uma a uma foram aparecendo. Como agora.
E eu nem tive tempo de as destilar,
de pensar sobre elas.
De as equacionar numa estrutura um pouco elaborada.

Elas saiam e saiam e corriam para o papel,
e acomodavam-se atulhadas nas linhas imaginárias de um folha toda branca.
Depois eu parei, pensei.
- Mas que posso eu querer dizer realmente, na essência de tantas palavras.

E elas, sairam abruptamente agora sem me deixarem colocar pontuação ortografica a empurrarem-se umas ás outras e a fluirem e fluirem sem sequer me darem tempo de eu arranjar um mero pretexto na coroa dos meus sentimentos e de os expressar e fazer com que

- PAREM! - gritei.

E elas mostraram-se inseguras, e choraram.
Queriam tanto ter um sentido próprio, que se esqueceram.
Elas queriam tanto que as pronunciasse alto,
quando já na popa da minha boca falando a outra boca,
eu as mato e apunha-lo de forma a que se calem.
E não digo. Não digo. Eu não digo.

E elas voltam para trás, para o coração e dormem latentes,
fluem pelo sangue,
volatizam no ar.
Tenho palavras que morrem muito cedo.
Palavras com o sentido inteiro do que sinto.
Quando tudo o que elas queriam era seguir o destino,
serem ouvidas, embalar alguém.
Mudarem o mundo talvez, senão a minha própria consciência.
Palavras que…

Palavras que dormem.

Parti o lápis e rasguei o papel.
E apaguei-lhes a luz para dormirem.

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  1. 2008 July 11
    Anonymous Permalink

    só coisas bonitas. mesmo! margarida

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