Identidade desconhecida

2008 August 12
Posted by Diogo Ferrinho
Fitava o pequeno espaço entre o que é na realidade
e todas as ansiedades debruçadas em pés de molho.
E quanto mais fundo alcançava o tamanho imenso,
da dimensão humana. Perdia-se constantemente.
Porque ás vezes, por não se amar o suficiente,
procurava entidades externas para adorar.
E as imagens imprudentes, delineadas nos contornos mais perfeitos
e mais ambíguos, deixavam-no ali, embalado.
Quando voltava aqui, já não era o que sempre foi.
Mutável a todas as frases que começam em ‘Nunca’ e ‘Para Sempre’.
Principalmente porque ele não iria ter tempo suficiente para provar,
que nunca seria, ou que para sempre seria.
O tempo passa, e a rede de coesão torna-se mais densa.
É muito mais difícil dizer-lhe agora algo que penetre fundo e o faça pensar.
Ela disse-me que de certas formas, ele era bastante sensível. Sensível demais para o Mundo.
Dei-lhe razão, é claro. Instantaneamente eu percebi que nunca ia entender a fundo a questão.
A busca da Identidade.
Aquela margem pequena, entre o que se é na realidade,
e aquilo que se queria ser.
Sei apenas que Nunca e Para sempre, é sempre tempo demais.
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