Filhos de um Pai
Á medida que eu passava para detrás da cortina
e me apercebia que a luta de homem,
não é suficiente para tornar um legado grandioso.
Percebi que então, esta não era a minha causa.
Como podia eu lutar por uma causa,
sem sequer saber que causa se tratava e que no entanto
a amava sem fim?
Li nos livros, na televisão.
Vi nos sonhos.
Algum dia iria chegar fast-food á Lua,
néons enfaixados em sinais de aviso.
Como pode algo tão grande caber dentro de um facto inexistente,
sem se deixar de apontar o dedo.
E esperar que os anos passem para se comprovar.
Que ás vezes, o lado brilhante era aquele mais escuro.
Qual era luta, que não me lembro.
E que me disseste que a felicidade era uma busca inata ao ser humano?
E se as pessoas se esquecerem que legados que duram para sempre
são apenas aqueles feitos em toda a extensão.
São as profecias de uma vida
levada na arte e na criação
de uma realidade, que antes foi sonho
e ainda antes cosmo
e um pouco de pó.
Qual é a causa justa que se despe todos os dias
da miséria e da pobreza de quem noutro sítio,
não escolheu sequer uma causa?
Qual é a causa mais justa que deviamos lutar em conjunto
senão pela humanidade?
Abandonei a mesa do café sujo.
Meti as mãos nos bolsos e senti orgulho das minhas causas.
Como se eu pudesse mudar a vida de alguém.
E posso.
E posso.