Revolução de Seda

2009 July 3
by Diogo Ferrinho

Parte I

Já no fundo da questão, são as palavras que em remate de conclusão
te atiram para os lobos e campos vedados com arame farpado,
para ela saber que sempre longe é sempre suficiente para não chorar.
Sem remorsos sobre aquele dia, em que doces mentiras já não são suficientes
para alterar o Universo inteiro moldado a esta nova perspectiva inventada.
Nós, não podemos ignorar os princípios se queremos na realidade
compreender a Origem.

Sentada à entrada, disse-lhe que as respostas não podiam estar em fotografias
nem em palavras escritas à mão datadas de 1948, nem sequer os mesmos cheiros
são os cheiros levados pela neve.
Depois de lamentar sobre toda a falta de plenitude nos últimos dias,
disse-lhe que não sabia quando é que tinha deixado de o fazer sorrir.
O vento não se atreveu a levar para longe essas palavras dela, que com sentido impregnado
em túlipas matinais na mesa com toalhas bordadas de branco se desleixam
na mais pura verdade de ser.

Para ela ter de entender que os mortos são outras formas de não ser
que todos os desejos impedem de ver com claridade o sublime sentido da vida.
Se cair pela ravina o sangue tem tempo de arrefecer no molho gelado de mar.
Não sabes?
Que talvez as fotografias são eternas.
Sem remorsos, com tudo o que era, ali.
Nunca mais voltou a Bikernau.

No comments yet

Leave a Reply

Note: You can use basic XHTML in your comments. Your email address will never be published.

Subscribe to this comment feed via RSS