Anabiose das Coisas
Não podia continuar somemente a atribuir culpas,
porque mesmo sem qualquer sentido, as culpas acabam
e não são as causas naturais que são culpadas,
se elas somemente ditam o natural incidente eminente.
Lá porque a porta continua por arranjar, meros contratempos
à nossa prática preguiçosa de arranjar mecanismos fixadores
porque isso implicava ir mais fundo para perceber o real problema.
Mas além disso, nem tão pouco por me pouco importar,
com os contextos em que ‘não sonho com ninguém’,
me tornam um egoísta ou simples inapto a partilhar esse pequeno tempo.
Só por isso eu consigo perceber,
que há meses atrás eu pensava que estava desfeito,
quando desfeitos são só adjectivos de coisas que realmente se podem desfazer,
como portas mal arranjadas e outros objectos,
que com uma qualquer mecânica simples podem simplesmente quebrar.
Não penso por isso que isso me possa acontecer realmente,
primeiro porque a minha mecânica nem sequer é linear,
muito menos utiliza fenómenos Causa-Efeito.
Só por isso que me entretanho com as culpas,
doces e macabras culpas para não me dar ao trabalho de tentar mais uma vez,
se começar do início mais uma vez,
de me dispôr mais uma vez.
Empurro a porta, com um barulho estridente ecoa pelo prédio todo,
Já todos nós sabemos que há coisas que precisam de arranjo,
mas nem hoje nem amanhã alguém se vai preocupar com isso.
Porque isso faz mesmo parte do processo do arranjo,
negligência, depois descuramento até se tornar num ponto irritante
da vida de alguém para depois de morto e vivo mil vezes,
ou outras vezes demais,
conseguir rematar com um encaixe perfeito.
Pelo menos metaforicamente dizendo…