Coração estéril
Para amares os impossíveis, porque desses não esperas nada,
nem sequer permitem entropias nos teus estados emocionais,
já que de longe consegues controlar todo o sentir impróprio
dos olhos que nunca se cruzam nem dos esforços
e outros trabalhos, que tamanhas relações implicam.
São só esses que podem valer a pena,
porque não havendo princípios não podem haver fins
desfeitos e lavados por lágrimas e temperados de todo esse rol dos sentimentos humanos.
Para amares os que não amam de volta, em silêncio, no comboio
quando todas as caras escondem por detrás um coração
que tu sentes sem dúvida, serias capaz de conquistar.
E por isso eles todos são as hipóteses,
e lá porque a vida te parece abrir num leque de possibilidades,
não te podes esquecer que essas realidades só coabitam com os teus sonhos.
Porque não havendo princípios também não podem haver desenvolvimentos
protegidos pela felicidade e todos os outros sentimentos humanos de pertença
que fazem a pele arrepiar e sentir tão bem.
Para amares os impossíveis, esses que não te amam de volta,
por medo de falhar, na tua conquista inexistente, suprida pelos sonhos
e simples loucuras em pedacinhos de fantasias.
Não sobra nada depois de saires do comboio,
chegares a casa,
entrares no quarto entrares na banheira,
ligares a televisão lavares a louça.
Não sobra nada no cigarro à varanda
na cama despida na noite repleta de estrelas.
Sobras só tu.
E um bocadinho dos impossíveis desprezados no chão do quarto.