Padrão espontâneo - Enfoques primários

2009 November 7
by Diogo Ferrinho

Não me chames, se não souberes.
Porque é preciso mais para sem palavras nenhumas entendermos
os uníssonos que se criam espontâneamente.
Quando no silêncio dois corações batem em sintonia.
Perceptível, são só os deslumbres de sorrisos afáveis
que tentam esconder a impotência de penetrar mais fundo
de cavar e enterrar por entre o ser,
para descobrir por fim,
os vales despidos que são essa parte da essência.

Não me chames, se não souberes.
Já me cansei das simples metáforas, dos ramos de flores,
das mais doces palavras.
Já me  cansei até das prendas mais dispendiosas,
das contas que nunca pago, dos elogios de ouro.
Que me abram a porta, que peguem na mão.
Que finjam silêncios enquanto apreciam a minha pele.
Já me cansei dos beijos. Das mensagens no telemóvel.

Por isso não me chames, se não souberes.
Não vale a pena.
Se o padrão espontâneo não nos encontrou,
não te canses. Não te magoes.
Não me chames mais,
se não souberes aquilo de que o meu coração é feito.
Se não souberes a minha essência.

Lá do fundo, o D. dizia-me que eu não sentia nada. Enquanto o Z. conduzia o carro cada vez mais rapidamente, apercebi-me tão abruptamente, que até a velocidade me fazia sentir mais qualquer coisa do que meras palavras a boiar na cabeça. Já em casa, despi-me das minhas matérias menos essenciais. Deixei-me na cama a procurar, para chegar até aqui. Que estava cansado disso mesmo. Precisava do entendimento mútuo. Tudo isto é sobre o entendimento múto. No enfoque primário do Eu + Tu.
No comments yet

Leave a Reply

Note: You can use basic XHTML in your comments. Your email address will never be published.

Subscribe to this comment feed via RSS