A Pandora ainda não voltou. São agora 2h47 e a Pandora ainda não voltou.
Eu tinha-lhe dito que não conseguia acreditar que apesar de tudo,
ela tinha sido capaz da atrocidade de não conseguir aceitar. Quer dizer,
para querer compreender ela tinha primeiro de aceitar
que nós não somos iguais. E por isso o ‘não ser tão como tu Pandora’ tinha de ser erradicado
para compreenderes que outras pessoas
têm outras perspectivas.
Mas agora estou arrependido.
Queria pedir-lhe desculpa.
Mas e se ela não vai voltar?
Queria ter-lhe dito que estava tudo bem, ia superar isso.
O cancro. A tristeza.
Mas a Pandora ainda não voltou.
E bolas!! Eu sei que há tanta gente que seria feliz com tudo o que temos
mas não consigo tirar esta ideia hipócrita e egoísta de que nada é suficiente.
Se ao menos ele fosse saudável.
Ela tinha ficado…
Tenho frio aqui na varanda. Chove um oceano.
Pandora volta…
Parte I
Já no fundo da questão, são as palavras que em remate de conclusão
te atiram para os lobos e campos vedados com arame farpado,
para ela saber que sempre longe é sempre suficiente para não chorar.
Sem remorsos sobre aquele dia, em que doces mentiras já não são suficientes
para alterar o Universo inteiro moldado a esta nova perspectiva inventada.
Nós, não podemos ignorar os princípios se queremos na realidade
compreender a Origem.
Sentada à entrada, disse-lhe que as respostas não podiam estar em fotografias
nem em palavras escritas à mão datadas de 1948, nem sequer os mesmos cheiros
são os cheiros levados pela neve.
Depois de lamentar sobre toda a falta de plenitude nos últimos dias,
disse-lhe que não sabia quando é que tinha deixado de o fazer sorrir.
O vento não se atreveu a levar para longe essas palavras dela, que com sentido impregnado
em túlipas matinais na mesa com toalhas bordadas de branco se desleixam
na mais pura verdade de ser.
Para ela ter de entender que os mortos são outras formas de não ser
que todos os desejos impedem de ver com claridade o sublime sentido da vida.
Se cair pela ravina o sangue tem tempo de arrefecer no molho gelado de mar.
Não sabes?
Que talvez as fotografias são eternas.
Sem remorsos, com tudo o que era, ali.
Nunca mais voltou a Bikernau.
que ‘Estrelas dentro de Aquários’ são todos os motivos
pelos quais as pessoas anseiam nunca terem de sentir,
dentro da piscina humana de sentimentos
que por medo, incerteza, desconhecimento
acabam por aprisionar, sem ver mais longe,
as estrelas dentro de aquários a secar e a perder o brilho.
E por isso mesmo, consigo agora compreender
que não posso conter um universo inteiro
só para ficares aqui ao lado.
Provavelmente, há tantas outras galáxias especiais
cheias de espaço e forças de atracção.
Pensava que se fosses a minha estrela
eu mantinha-te por saberes que me aquecias.
Mas esqueci-me que nem a gravidade é eterna,
deixa-me o pó da estrela.
Podes deixar-me um pouco de pó de estrela
ao lado da minha janela.
É de lá que consigo ver todas as estrelas.
E brilha. No final brilha.
És lindo, quando brilhas.
Vai, brilha.
Peças de puzzles só começam a fazer sentido,
quando todas viradas para cima,
revelam as caras verdadeiras nos diferentes tons do todo.
Logo, se continuarmos assim virados de costas, talvez seja dificil saber
se o encaixe é perfeito ou apenas induzido,
por esses sonhos amenos e temperados de perfeição.
Tive um desses, hoje. No comboio, ia rápido.
Tive tempo de ver o meu reflexo
me aperceer da quantidade de coisas que mudaram!
O tempo passa rápido e querendo ou não,
evoluimos em porporções que nem sequer sabiamos existir.
Agora sei o que procuro no infinito das possibilidades
e essa certeza faz me sorrir ao reflexo no vidro do comboio rápido.
Já não há razões para ter medo
sei exactamente para o que vim.
E quando saí, apercebi-me de repente
do mundo inteiro a virar as faces certas do puzzle de pessoas,
agora resta apenas encaixar à peça certa.
E apesar de eu só ter 4 lados de encaixe,
nós, hipóteticos ainda, vamos passar a ter 6.
E com isso consegues perceber que as probabilidades de acertar nas peças
começa a aumentar.
Nós, depois toda a nossa vida,
cada vez mais cheia.
Sinto-me tão preparado para começar,
sinto-me tão certo.
Sinto-me tão certo.
Sei que tudo vai dar certo.
E eu vou conseguir.
eu admito que a maturidade não chega para lidar com as balas
de pistolas que à queima roupa
aliviam as palavras em fazes-de-conta que nunca me beijaste.
Todos os olhos se despem de inocência para eu dizer
‘Eu acredito…quando acredito. Eu acredito.’
Para ouvir as queixas problemáticas de todos os rapazes
que não encontraram o caminho certo, ou são
de outros universos quando deviam ser todos de Marte.
‘Mas eu acredito’ que algumas coisas
podem ser coisas reais. Como Luas em céus encrustrados de estrelas
mas sem essas mãos todas que sem jeito
se dão, ao cuidado dos comportamentos que são os menos delicados.
Não tem nada de mal, agora as balas
que se descriminam em sentimentos típicos daqueles
que fizeram a Grande Queda o final de uma humildade que talvez
por nunca ter existido, nós mentimos
enquanto nos plastificamos para, perfeitos entrarmos armados
na vida de outrém.
Então será que nos embelezamos para quebrar?
Ou nos quebramos para acordarmos?
Na mesma cama com a estória toda do início.
Não conseguias perceber que não são as mãos maiores
que levam mais corações ceifados em campos de guerra.
Nem palavras problemáticas
que prendem corpos em arame farpado para no final
sobrarem bocados de nós no miradouro,
na praia, na lua ou no Tejo.
De todos os procedimentos socialmente correctos
o teu foi o melhor até agora. Aprecio essencialmente todos os gestos
que se desvendam em nenhum movimento sequer
pelo silêncio imbutido
ao meu telemóvel á procura de mensagens que nunca chegam.
‘Eu acredito, quando acredito…acredito’ dizia
sublime sem sentido de eu achar que havia motivos
que podiam anular todos os fenómenos de causa-efeito.
Quando escapes são só tiros à queima roupa,
adeus sem sorrisos,
empurrões de silêncio contra o peito e esse rol,
de procedimentos socialmente correctos
para aniquilar tudo o que sentia.
Agora sobram debris no chão,
esperam pela chuva e pelo tempo, porque
nem Eu
nem Tu
vamos voltar ao mesmo sítio.
Não sabia que o percurso de rios podiar mudar tão abruptamente.
Descobri à pouco, não sendo suposto
que nem os rios mais doces têm percursos circunscritos
à serenidade de um contexto dado ao leito mais turbilhento.
Depois nem as pontes se aguentam quando a força do rio se inverte.
Depressa me apercebo que sem rio,
esta terra aqui vai secar,
vai se tornar tão infértil e estéril.
As sementes que há tão pouco lancei,
vão morrer sem nunca dar frutos.
As épocas vão deixar de ter calendário, nem as mensagens
nem o dia-adia nem sequer mesmo o sol do meio-dia.
Mas às vezes é mesmo assim,
aliás, tem sido assim à algum tempo.
Na minha busca por um rio seguro, que dure para sempre.
Ás vezes, achava que o mais bonito de tudo seria…
Nem sequer as despedidas. Sobram sempre pequenos pretextos,
ele disse, ‘na continuidade das coisas’,
que por vislumbre no espelho me apercebo,
que talvez não é o reflexo que esteja errado.
De pouco servem mapas senão houver uma cruz
que indique o sítio certo onde chegar.
Somos só mapas à espera de ser lidos,
esqueci-me só de dizer que à primeira vista
a cruz no mapa pode parecer não existir.
É só que já não cansam os inícios.
Não. As pás cheias de pó de nunca serem usadas para cavar.
Já nem cansa nada disso.
E mesmo assim sinto-me tão cansado.
Não estamos tão cansados de não perceber?
‘cedo sem sentido’ à procura de premissas que nos coloquem
ao mesmo tempo dentro do mesmo quarto.
No habitual consenso ou consaguíneo
das liga´ções mais fortes que caprichos ou discussões
que começam à mesa e acabam nos abraços
que pintaram as paredes cá de casa.
Somos só nós a ser,
elos que se desmancham em tamanhas intenções
de bem-querer um, entre todos, nós e as nossas coisas.
Para não me perder, nas tempesdades de horas
que ás vezes aterrorizam os meus planos,
trago de volta todos os traços, cheiros
as texturas das mãos, de cada um de vocês
para encontrar a segurança que um dia sonhamos ser.
Todos num alcance de foguetões que chegam mais longe
que o alcançável.
Tudo isto só para dizer,
que dar a volta ao mundo só serve para satisfazer
uma procura que acaba por voltar ao mesmo ponto
quando uma volta tem um regresso
para encontrar serenas,
circunstâncias que me fazem a mim.
Que somos nós a crescer e a continuar
e a criar outros elos,
fora da porta da porta de casa.
Sou só Eu a ambicionar um dia,
construir tudo o que tenho aqui,
dentro.
Diamentes incalculáveis.
Nós, a semear e a dar o sentido
dos sentidos primoridiais quando chegamos aqui.
Construções que duram para sempre.
Um branco em cima do tempo,
são só matrizes a acontecer, quando de repente
me surpreendo a pensar o quão estúpido posso parecer
a querer acreditar que fotografias de pessoas perfeitas
não podem esconder tamanhos defeitos.
Tinha razão o tempo todo em saber que estava errado,
depender destas grandezas visíveis e palpáveis quando
ás vezes, um longe é um físico perto demais
para me atirar para fora do círculo.
Depois não restava mais ninguém para ser
senão eu mesmo.
No branco em cima do tempo.
no meio do oceano quando os braços se cansam para voltar à margem.
E disse-me de mansinho, quanto tempo
havia para ter tempo para evoluir.
Até me aperceber, na rapidez sobre carris,
que nem o Tejo fica calmo para sempre,
nem seres terrestres que desfolham livros
e pensamentos mal temperados.
Eu arranjei umas mãos tocantes,
que me aquecem e me salvam das noites mal dormidas,
da falta de nós contra-todos-contra-ninguém.
E ao pensar que em longo prazo,
os muros consolidam-se mais no tratamento adequado de cada um,
eu tinha de trazer-te para o lado de dentro, antes mesmo
de ter acabado a construcção.
Não podias, perceber que a meio do caminho
quando sei lá, pisaste o meu pé ou outro qualquer chmamento mais real,
os quatro olhos só podem ver o mesmo.
As quatro mãos só podem ter de garantir estabilidade.
Os quatros pés só podem marchar o mesmo caminho.
As duas bocas só podem partilhar
o chamamento uma da outra,
quando boca-chma-boca,
e o mundo lá fora desaparece.